Prêmio Nacional de Contos do Estado do Paraná

2006

- Rinaldo de Fernandes -

O escritor Rinaldo de Fernandes acaba de obter o primeiro lugar no Prêmio Nacional de Contos do Estado do Paraná, um dos mais tradicionais da literatura brasileira (que já premiou, entre outros, Dalton Trevisan e Rubem Fonseca). O conto inédito “Beleza”, de Rinaldo, concorreu com quase 3.500 textos de todo o país.  
O conto integra o novo livro do escritor, intitulado Rita no Pomar (posfácio do crítico Silviano Santiago), previsto para sair em 2007 e que reúne uma novela e cinco contos.

Rinaldo é autor dos livros O Caçador (Edufp, 1997) e O perfume de Roberta (Rio de Janeiro: Garamond, 2005). É organizador, entre outras, das coletâneas Contos cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea (São Paulo: Geração Editorial, 2006) e Quartas histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa (Rio de Janeiro: Garamond, 2006).
O conto “Beleza” é a (comovente e kafkiana) história de um homem que, não tendo onde morar, desempregado, rouba uma égua no subúrbio e passa a “morar” nela, a viver montado pela cidade. A égua recebe o apelido de Beleza.

Antonio Carlos Secchin, membro da Academia Brasileira de Letras, disse sobre o conto premiado de Rinaldo de Fernandes: “Um lindo, emotivo, emocionante conto, impecavelmente escrito.” A professora de literatura e escritora Sônia Maria van Dijck Lima, por sua vez, afirmou: “...um conto como esse é imbativel em qualquer concurso – dominio técnico, linguagem apropriada, arquitetura bem construída, personagem densa...”. Uma avaliação mais longa e detalhada do texto de Rinaldo coube à contista cearense (que já obteve, em 2001, um prêmio nacional da Revista CULT) Tércia Montenegro: “Logo de início, o conto me atraiu pela linguagem do protagonista – o coloquialismo, cheio de uma comovente verossimilhança (comovente porque não há como não trazer à mente tipos parecidos, com os quais já cruzamos, na vida), foi um laço. Depois, com a decisão de ‘morar na égua’ roubada, percebi que o personagem tinha essa essencial poesia dos errantes e dos loucos. As descrições são um encanto à parte, como a língua ‘roxa’ da égua Beleza. O conto ganha velocidade em momentos importantes, como na cena em que os meninos batem na égua, e os pinotes e a angústia são incorporados pelos períodos longos e virgulados, esticados pela onomatopéia. A demência voluntária do personagem, como forma de escapar da punição pelo assassinato, é um achado, também. Uma outra impressão que tive, ao ler o texto: creio que a primeira parte do conto adquire certa independência, e poderia também ser publicada como um conto mais curto. Claro que a história completa se enriquece, constrói melhor o perfil do personagem, com seu flashback, que prepara e exacerba sua solidão. Mas, na minha opinião, não invalida que a primeira parte fosse publicada como um conto completo, um relance na vida desse homem que, por sua dor tão autêntica e enraizada, transformou-se num personagem inesquecível. Esse conto é uma porrada (com o perdão da palavra). A-do-rei! Que privilégio, lê-lo tão fresquinho, saído do forno”.

Novembro 2006

Criação da página: Sônia van Dijck

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