Artigos
Contos
Entrevistas
Opiniões
Pesquisa
Poemas
Mapa do site
   

ESTUDOS E COMENTÁRIOS CRÍTICOS

Arriete Vilela

Castro Pinto

Cunha de Leiradella

Elisa Nazarian

Hermilo Borba Filho

Idelette Muzart F. dos Santos

João Guimarães Rosa

José Lins do Rego

Luiz Ruffato

Marcos Rodrigues

Mário de Andrade

Políbio Alves

Mensagem para amado(r)amigo

Sônia van Dijck

   

De:amiga@soniavandijck.com

Para: amador@livrodoano2003.pb

Cc: amigos@leitores.com

Assunto: barrocidade (são paulo: landy, 2003)

poeta amado(r)
pelamordedeus!!!! acabo de ler seu livro - vou reler umas tantas vezes para (re)descobrir e (re)aprender as palavras e os (im)possíveis que você (re)inventa e sei que cada releitura será de (re)encantamento e (re)confirmação do prazerdotexto - por saber disso vai tanto "re" nesse início de mensagem
você parece ter fome de palavras: inventa acasala umas antigas e faz novas dá uma melhorada em outras velhas conhecidas com uma letra(fonema) que acrescenta ou tira ou dobra e lá está a palavranovinhaemfolha para o que precisa dizer
não lhe bastam as palavras de uma língua e ousa até subverter as estrangeiras ou as incorpora taisquais devorando sentidos
vai da norma culta ao calão sem evitar o palavrão e do sublime ao sórdido e traz pro texto o escatológico (exemplar é "amor de sexta") e ainda assim não se esquece de fazer metapoesia ou de cometer as delicadezas de "a filha" e "saudades" ou de traduzir uma enorme sensibilidade como em "rio de janeiro em janeiro" isso para não deixar de instaurar o realismo tapanacara sem ilusões e ainda assim belíssimo que está em "uma mulher"
putaquepariumeulouro vá-ser-bom-assim-no-inferno porque na terra você mata os outros de inveja e no céu não há lugar para poetas como você pra não matar deus de medo do poder da palavra que aliás foi ele que inventou quando pronunciou o "fiat lux" como já não havia na república de platão porque poeta é mesmo subversivo e é feito de carne e osso e de sangue e de desejo e de gozo e de palavras e de olhos de veromundo
e o que você faz com as criaturas que informam sua poesia é pura homenagem mais cheia de ludismo do que de elogios o que aliás seria um saco se tivesse feito e só por isso porexemplo traz uma (re)leitura dos sertões euclidianos agora passados a limpo nas "folhas A4" e portanto (re)atualizados em releitura amadoriana
não quero pensar nos augustos cãessemplumas e nem divagar nos campos nem nas veredas de rosa quando leio a poesia do amado(r)amigo que é mesmo faca[s]solâmina em demanda da melhor palavra
para falar com você através de meu teclado coloquei no drive a voz do manocaetano em burn it blue porque seus poemas queimam e me incendeiam em azul ternura e em vermelho verdade e em roxo desejo de prazer (de seus textos, é claro!) graças a sua competência de bruxo que conhece o caminhodaspedras
como você brinca com a lingua para inventar sua linguagem poética dou-lhe um beijo "não técnico" ainda que virtual mandado na madrugadamiga da boêmia tão nossomundo.
Sônia

mail to: landy@landy.com.br

© Copyright by Sônia van Dijck, 2003

Publicado in: Fabulação. Um novo tempo, João Pessoa, ano 2, n. 7, jan. 2004, p. 29-30.

Composição dodecafônica (autor desconhecido)

Artigos
Contos
Entrevistas
Opiniões
Pesquisa
Poemas
HOME