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Laroiê, Exu!
.

Representação de Exu. Imagens: Ilé Axé Tajenã; Ilê Alabaxé

C A N D O M B L É

uma cultura milenar

Presença na cultura baiana - breve apresentação

Sônia van Dijck

AXÉ!

 

Edvaldo Santos (Dico), Pai Pequeno e representações de orixás. Ilê Axé Tajenã

Quarto de Exu. Ilê Axé Tajenã

Casas visitadas (jan. 2008) para este trabalho:

Ilê Axé Tajenã

Salvador – BA - Brasil
Mãe Maria (fundadora)
Casa fundada em 1990

Ilê Alabaxé

Maragogipe – BA - Brasil
Pai Edinho (fundador)
Casa fundada em 1971

Nação Ketu

Vodun ou Vodoun
- o poder/ o segredo dos orixás -


Vodun ou Vodoun: tradição religiosa baseada nos ancestrais – culto dos ancestrais -, que tem as suas raízes entre os povos Fon-Ewe da África Ocidental, no país hoje chamado Benin, anteriormente Reino do Daomé, onde o vodun é hoje em dia a religião nacional de mais de 7 milhões de pessoas.


Tradição do Daomé ou tradição fon – tradição iorubá:

presente na Bahia.

 


Vodu ou Vudu – assim escrito, no Brasil, tomou um sentido pejorativo.

Ilê Axé Tajenã. Ilê Alabaxé


 


http://www.sergiosakall.com.br/africano/entrada.africana.html

REPÚBLICA DE BENIN - ex-Daomé e ex-Costa dos Escravos

Nome oficial: République du Bénin.

Capital: Porto Novo (sede administrativa)

Cotonou - sede do governo


Religiões:
crenças tradicionais: 62% (vodun – similar ao candomblé),
cristianismo:23,3%,
islamismo: 12%,
outras: 2,7% (1991)


Localização: centro-oeste da África. Localizado na costa ocidental da África, no Golfo de Guiné.

O acarajé, tradicional bolinho baiano de feijão, frito em dendê, faz parte da culinária beninense – sob o nome de acará. Exemplos da culinária nacional beninense: feijoada, azeite-de-dendê e inhame.

Fontes:

http://www.sergiosakall.com.br/africano/entrada.africana.html

http://www.soniavandijck.com/acaraje.htm

 

Para saber mais sobre o Benin, visite http://pt.wikipedia.org/wiki/Benim

Negros trazidos para a Bahia


Negros Fons ou Nação Gêge (gêge = estrangeiros)


Negros Yorubás ou Nação Ketu


Negros Bantos ou Nação Angola


Negros Malês (haussas e nagôs) – mulçumanos (revolta dos malês: janeiro de 1835)

Culto dos orixás (vodun >>> candomblé)
veio da África

 

Candomblé não é umbanda


UMBANDA
religião fundada no Brasil por Zélio Fernandino de Morais, em 1908, no Rio de Janeiro.

Para saber mais sobre UMBANDA, visite http://pt.wikipedia.org/wiki/Umbanda

Nagô – Iorubá (língua) >>> candomblé Ketu


Ketu – nação com ampla representação na Bahia


Gêge – os iorubás diziam que “gêge” era o estrangeiro

- gêge: presença marcante na região de Cachoeira e São Félix (BA - Brasil) -

Atabaques (Rum, Rumpi, Lê) e agogô . Ilê Alabaxé

Vodun – Candomblé >>> culto dos ancestrais


Caráter familiar do culto


- transmissão oral -


Representação de orixá. Ilê Axé Tajenã

Culto dos orixás na África
Familiar – Tribal
Orixá do reino – da cidade – da família

Culto dos orixás na Bahia >>> individual
Candomblé na Bahia >>> estrutura familiar (lembrança do tribal)

 

 


África – Bahia
Proximidade entre profano e sagrado (humano e sagrado)
Vodun - Candomblé

Edvaldo Santos (Dico), Pai Pequeno. Cadeira de Mãe Maria. Ilê Axé Tajenã.

Interferências – aculturação

- Mobilidade da população africana
- Escravidão de inimigos – venda de escravos
- Interferência dos muçulmanos
- Interferência dos cristãos
- Introdução de elementos indígenas

Sincretismo na Bahia: catolicismo

- Escravidão
- Miscigenação
- Preconceito


ORIXÁS

“Um babalaô me contou:
‘Antigamente, os orixás eram homens. Homens que se tornaram orixás por causa de seus poderes. Homens que se tornaram orixás por causa de sua sabedoria. Eles eram respeitados por causa de sua força. Eles eram venerados por causa de suas virtudes. Nós adoramos sua memória e os altos feitos que realizaram. Foi assim que estes homens tornaram-se orixás. Os homens eram numerosos sobre a Terra. Antigamente, como hoje. Muitos deles não eram valentes nem sábios. A memória destes não se perpetuou. Eles foram completamente esquecidos. Não se tornaram orixás. Em cada vila, um culto se estabeleceu sobre a lembrança de um ancestral de prestígio e lendas foram transmitidas de geração em geração, para render-lhes homenagem.’”


Pierre Fatumbi Verger, Lendas africanas dos orixás, p. 9.

Representações de orixás. Ilê Alabaxé


ORIXÁS

Olodumaré – orixá distante, indiferente aos humanos – impossível de ser compreendido pelos humanos – criador dos Orixás. Não lhe é dedicado culto.
Olorum – para outros pesquisadores, é o orixá supremo, sendo Olodumaré o segundo orixá – tem as mesmas características de Olodumaré e também não é cultuado.


Orum – espaço dos orixás (e dos mortos) >>> céu (? – conceito cristão)
Ayé – espaço dos vivos

Contas de Exu (guia)

Quando chamados, os orixás voltam ao ayé.

Pierre Fatumbi Verger, Orixás, p. 21-22.

 

 

ORIXÁS

 

Exu (Laroiê!)

 

Iemanjá (Odô Iyá!)

Obá (Obá Xí!)

Obaluaê (Atotô!)

Ogum (Ogum Yêêê!)

Oiá – Iansã (Êpa Heyi!)

Oxalá (Êpa Baba!)

Oxóssi (Okê!)

Oxum (Orê Yeyê Ô!)

Xangô (Kawo Kabiyesi le!)

Representações de Exu – pertencentes a Sônia van Dijck

Natureza/características dos orixás


Mito e História


ORIXÁS:
Fundadores de dinastias e de cidades.
Reis, caçadores, mães, esposas, guerreiros, artesãos...
Apaixonados, coléricos, vingativos, vencedores, vencidos...


ORIXÁ:
caráter ambivalente

(positivo – negativo, conforme a cultura cristã)

Quarto de Obaluaê. Pegi de Obaluaê. Ilê Alabaxé

Orum <<< >>> Ayê

Orum – não é o Céu/céu – não é o Paraíso
Orum – não fica no alto – é dentro da terra
Orum – não é sítio agradável/“paradisíaco”
Os orixás gostam de voltar ao Ayé

ORIXÁ

é honrado, festejado
tem poderes mágicos
aproxima-se dos Homens (narrado como humano)
tem historicidade (mito X História)

Orixá é ANCESTRAL

A cultura iorubá não tem o conceito de Inferno

Resultado do sincretismo na Bahia - e no Brasil (colonização cristã)

EXU
Sincretizado com o Diabo/ Demônio, graças à catequese
Orixás >>> deuses – santos (cultura cristã)*

 

QUEM É EXU?

EXU – padroeiro da cidade da Bahia (orixá da cidade [tribo])

EXU – protetor dos caminhos, das cidades, das residências, das famílias
Laroiê, Exu!

EXU – irascível, vingativo, fiel, mensageiro, bagunceiro, briguento, príncipe, súdito de Xangó, primo/irmão de Ogum, vigilante, fálico, entre outras características de Exu


EXU>> acima de tudo, é servidor de quem o respeita.

Laroiê, Exu!

* Lembrar TUPÃ - mito transformado em Deus (Pai Eterno – deus supremo) pelos jesuítas no Brasil.

Ilê - casa
- espaço do sagrado – espaço do Axé –
(roça – terreiro)

R I T U A I S

Ifá (búzios)

Oráculo de Exu

Ifá do Ilê Axé Tajenã

Entrada para as camarinhas

Entrada para quarto de orixá. Pegi

Ao fundo: foto do babalorixá Pai Edinho

Barracão - espaço do Axé (salão da festa)

Ilê Alabaxé

 

Cumeeira - entrada do barracão (espaço do Axé)

Barracão (espaço do Axé): ponto da gênese do orixá

Ilê Axé Tajenã

Sultão das Matas – único caboclo cultuado no Ilê Alabaxé.

Caboclos - IIê Axé Tajenã

Iniciando nos atabaques. Ilê Axé Tajenã

Quarto de Iansã. Pegi de Iansã. Ilê Alabaxé

Colonização européia >>> sincretismo

NO TEMPO DA GLOBALIZAÇÃO

O exótico invade Paris: o sincretismo vai ao colonizador - ou é apropriação?
- a colonização continua (???)
-

Os “orixás” vão à Madeleine

Fotos:Lavagem da Madeleine. Ingrid Bueno Peruchi (2007)

Leia sobre a lavagem da Madeleine - textos de Ingrid Bueno Peruchi e Alexandra Dumas

Este material não tem ambição acadêmica. Deve ser visto como informações resultantes de minha vida em comunhão com minha cultura. Não sou antropóloga. Sou baiana.
Para reunir este material contei com a ajuda de minha querida Mãe Maria e de seu pai pequeno Edvaldo Santos (Dico), guardião do segredo, e do Sr. Jurandir Raimundo Batista, esposo de minha Mãe Maria, do Ilê Axé Tajenã; do Sr. Domingos Mello de Albuquerque, de outros integrantes do Ilê Alabaxé e de seu babalorixá Pai Edinho, que me permitiu a visita; de João, meu mais novo amigo em Maragogipe. A todos, meu agradecimento – com eles, tenho muito a aprender.
Agradeço à colega e amiga Ingrid Peruchi a permissão para usar suas fotos da lavagem da Madeleine.
Agradecimento especial devo a Ideraldo Barbosa de Sousa (Dodô), meu querido amigo de infância, que esteve comigo no Ilê Alabaxé, vivendo, vibrando, aprendendo, e fez muitas das fotos que uso.
Agradeço também à colega Profa. Dra. Neide Miele, que, graças a uma troca de mensagens internéticas, me descobriu participante da diáspora africana e me convidou para este evento.

A todos, meu melhor carinho e Axé.

LEITURAS RECOMENDADAS:

RIBEIRO, Ronilda Iyakemi. Alma africana no Brasil. Os iorubás. São Paulo: Oduduwa, 1996.
VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás. Deuses iorubás na África e no Novo Mundo, 5. ed. Trad. Maria Aparecida da Nóbrega. Salvador: Corrupio, 1997.
_____________________ Lendas africanas dos orixás. Trad. Maria Aparecida da Nóbrega. Salvador: Corrupio, 1997. Ilustrações: Carybé.


ENDEREÇOS RECOMENDADOS (copie em seu navegador):

- http://www.sergiosakall.com.br/africano/entrada.africana.html
- http://www.soniavandijck.com/acaraje.htm
- http://www.soniavandijck.com/ingrid.htm
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Benim

FICÇÃO (conto de Sônia van Dijck) link: "A escolhida"

Conferência proferida no Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões/ Universidade Federal da Paraíba, 23 fev. 2008
Criação: Sônia van Dijck
Imagens: Fotos de Ideraldo Barbosa Filho e Sônia van Dijck. Signo de Exu e J. B. Debret capturados na internet. Lavagem da Madeleine: Ingrid Bueno Peruchi

Reprodução proibida. Material de uso didático.

© Sônia van Dijck, 2008

Midi: Ebó

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