- A escolhida - A vez e a espera - Canção para lembrar de mim - Da Cartilha para os livros de gente grande - De primeira viagem - Jardim e mandarines - O álbum -

O tempo perdido - - Poderia ter acontecido em Dublin -- Quasímodo perdeu a ternura - Shopping dos Milagres -Travessia - Uma mesa perto da arrebentação

D E P O I S

Sônia van Dijck

O silêncio, ao abrir a porta, causou-lhe um arrepio, como um prenúncio negativo. Achou-se idiota por isso. Móveis não falam. Flores não falam.
Um leve sopro do vento alcançou as orquídeas sobre a grande arca da sala de entrada.
Fechou a porta.
Na penumbra que invadiu o ambiente, podia ver, através da porta de vidro, a rede no jardim de inverno e a cadeira ao lado.
A voz, o cheiro, o sorriso, ali estavam naquele fim de tarde.
Acendeu a luz da sala, a do jardim, e olhou as orquídeas, agora quietas na sala.
Juntou as lembranças. Atravessou o jardim.
O quarto enorme no silêncio.
O armário vazio.


Um perfume deixado na mesa de cabeceira:
- Estou aqui. – ele quis dizer; mas, já não estava.
Só lembranças.
- Não me esqueça! – ela pensou.
Acordou com a primeira luz da madrugada. O quarto vazio, a cama fria.

In: O conto brasileiro hoje. São Paulo: RG Editores, 2011, v. 20, p. 101-102.

Foto: Sônia van Dijck

© Copyright by Sônia van Dijck, 2011

Midi: Concerto de Aranjuez - trecho (Joaquín Rodrigo)

- A escolhida - A vez e a espera - Canção para lembrar de mim - Da Cartilha para os livros de gente grande - De primeira viagem - Jardim e mandarines - O álbum -

O tempo perdido - - Poderia ter acontecido em Dublin -- Quasímodo perdeu a ternura - Shopping dos Milagres -Travessia - Uma mesa perto da arrebentação

Artigos
Contos
Entrevistas
Opiniões
Pesquisa
Poemas
HOME