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ESTUDOS E COMENTÁRIOS CRÍTICOS

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Trilha: Quinteto Itacoatiara

Capa e selo do cd: Geraldo Profeta Lima

Trechos do cd rom

Movimentos do discurso

de

José Lins do Rego

(João Pessoa: Ed. Universitária/UFPB, 2004)

ufpbeditora@bol.com.br

Veja também

A equipe de pesquisadores

do Projeto "Ateliê de José Lins do Rego"

ESTUDO DA GÊNESE DE UM DISCURSO

Sônia Maria van Dijck Lima

INTERESSE DO TRABALHO

Privilegiando a leitura do manuscrito, reconstituímos alguns aspectos da escritura de Meus verdes anos, de José Lins do Rego, procurando o reconhecimento dos modos de proceder do autor.
Não mostramos o texto enquanto estabelecimento do ânimo autoral.
Não estando o interesse do trabalho voltado para o estabelecimento do texto definitivo ou da última vontade do autor, não tomamos outras edições, além da 1ª (1956), para verificação de variantes.


CRÍTICA LITERÁRIA E CRÍTICA GENÉTICA

A crítica literária desconhece as formas alternativas experimentadas pelo autor; formas essas que traduzem um repertório lingüístico, assim como um universo cultural freqüentado por ocasião da escritura.
Voltando-se para os documentos originais do texto, sem privilegiar essa ou aquela lição, o geneticista, estudioso de manuscritos modernos, reencontra complexas operações metalingüísticas, pois, no eixo das similaridades, as formas escolhidas para a publicação, e, portanto, organizadas no eixo das contigüidades, falam daquelas que foram expurgadas, alimentando-se, ao mesmo tempo, de seus significados.


INTERESSE PELO PROVISÓRIO

O geneticista detém-se na contemplação do provisório, nos movimentos alternativos de substituição, eliminação, acréscimo. No manuscrito estão as marcas das hesitações, documentadas nas e pelas rasuras. (Lima, 1993: 239)
O interesse consiste em preservar os traços reveladores dos caminhos percorridos nos eixos da linguagem, reconstituindo os movimentos de seleção e de combinação executados na escritura.
Dessa forma, através do manuscrito, organizado como prototexto, podem ser reconstituídas as formas alternativas experimentadas por José Lins do Rego em Meus verdes anos, que atualizam a relação dialética entre uma bagagem lingüística e cultural de fatura erudita e uma linguagem de gosto popular e regional.


CARÁTER DO SIGNO

O autor tem na palavra seu instrumento de trabalho para a construção de um universo poético.
Os registros do(s) manuscrito(s) objetivam o caráter arbitrário do signo – mostram a mobilidade do processo de atualização da língua.
A escritura nos leva ao funcionamento da linguagem.
No manuscrito, não se procura um produto.
Investiga-se a produção de um discurso.

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RECONSTITUINDO UMA ESTRATÉGIA

Maria Lúcia de Souza Agra


O protonarratário é, na construção da narrativa, o ponto para o qual convergem todos os movimentos do protonarrador, e que este, no trabalho de orientação da construção da narrativa, é sempre levado ao protonarratário, como condição essencial para o êxito de sua orientação.
Todavia, o protonarrador orienta sua própria construção, porque, sendo uma voz, nasce em simultaneidade com o discurso que constrói.
Concluída a orientação, isto é, definido o discurso final, este já não mais pertencerá ao protonarrador, mas ao narrador.
Uma vez que, para concluir sua orientação, o protagonista da construção da comunicação narrativa necessita da compreensão ativa do protonarratário, podemos afirmar que é a relação entre eles que leva ao narrador e seu discurso, no texto final.


QUEM NARRA - QUEM ESCUTA - QUEM LÊ

Afirma Genette (s. d.: 260), o verdadeiro autor da narrativa não só é quem conta, mas também, e por vezes muito mais, quem a escuta.
Contemplando o prototexto de Meus verdes anos, vemos que os movimentos do protonarrador, como diz Wilma M. de Mendonça (1993: 167), representam uma tentativa do autor de convencer o leitor de que o resgate do passado não apenas é possível, mas que é efetuado durante o processo de escritura.

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ESTUDO DAS PERSONAGENS

Marilene Carlos do Vale Melo


ENCONTRO DE UM TEMPO PERDIDO


José Lins do Rego ultrapassa o registro memorialístico e autobiográfico trazendo à tona um mundo recuperado; lembranças que fluem, num jogo em que se mesclam a memória e a imaginação.
O alimento memorialista e autobiográfico que nutre as narrativas Menino de engenho e Meus verdes anos tem a mesma origem e aflora à consciência do autor sob formas que repetem, no espaço textual, o vivido e o observado.
Diz Antonio Candido:
... a personagem constitui a ficção... o romance transforma a vida.


TEMPO VIVIDO # TEMPO DA ESCRITURA


No manuscrito de Meus verdes anos, a escrita corrida, sem marcas de parágrafos e de capítulos, remete à desordem da memória, que traz os fatos fora da ordem "lógica" do tempo. Trata-se de um tempo agora interiorizado.
A fatura ficcional que José Lins do Rego imprime a Meus verdes anos evidencia-se desde o início do discurso, quando o narrador diz:

Tanto me contaram a história que ela se transformou na minha primeira recordação da infância. (pt., f.1)

A distância entre o tempo vivido e o tempo da escritura fragmenta o acontecido, que só pode ser, então, presentificado na narrativa alçando-se à dimensão ficcional.

"ARISTOCRACIA" RURAL

José Lins do Rego conservou uma representação de uma sociedade "aristocrática" rural.
Em torno de Carlinhos, em Menino de engenho, e de Dedé, em Meus verdes anos, é que agem as demais personagens, harmonicamente, cada uma representando os modelos reais que foram parte integrante daquela sociedade.

© Copyright by Sônia van Dijck, Maria Lúcia de Souza Agra, Marilene Carlos do Vale Melo, 2004

Noite de lançamento - Parahyba Café (João Pessoa - PB - Brasil) - 11 mar. 2004

Com Maria Vilani de Sousa - Com Marilene Carlos do Vale Melo

Midi: folclore

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