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(Re)Versos: afetos à flor da pele


Neide Medeiros Santos

Para Sônia

 

No anfiteatro, sob o céu de estrelas
Um concerto eu imagino
Onde, num relance, o tempo alcance a glória
E o artista o infinito.

(Chico Buarque de Hollanda. Tempo e artista)

 

São Paulo: Navegar, 2008

Capa: Leonardo Hermano

(Re)Versos, livro de poemas de Sônia van Dijck, reúne 37 poemas que se assemelham aos epigramas de Mário Quintana, mas sem os traços de humor e ironia que caracterizam os textos do poeta gaúcho. Os poemas de (Re)Versos vêm revestidos de puro lirismo.
A capa do livro e as fotografias foram clicadas pela lente da poeta/fotógrafa(*) que procurou valorizar a natureza. Flores, árvores, detalhes de ambientes aconchegantes emolduram os poemas.
O poema "Fé" (p.62) guarda afinidades com os haicais japoneses no aspecto formal e no conteúdo. Examinemos:

devota do Tempo,
a cada manhã,
me reinvento.

Para ilustrar este poema, aparece a fotografia de uma janela fechada e encoberta, parcialmente, por folhagens outonais. A claridade translúcida da manhã se reflete no tijolo aparente da parede. A reinvenção conota otimismo e esperança. O próprio título "Fé" é prenúncio de crença no amanhã.
O último poema do livro – "Continuação" (p. 78) – é oferecido à mãe e traz um título ambíguo. O título “Continuação”, no sentido denotativo, sugere que virá alguma coisa depois. E o leitor poderá indagar: Qual seria a motivação do título? Sugerimos a leitura integral deste poema para melhor compreendê-lo:

CONTINUAÇÃO

as histórias findas
muito mais que lidas
fazem a memória
de tão curta vida.

Aqui, o eu - lírico estabelece um diálogo intertextual com o poema de Drummond – "Memória" e com o soneto de Camões, de tema bíblico – "Sete anos de pastor Jacó servia". Um debruçar mais atento sobre “Continuação” revela-nos o tom nostálgico e saudosista de histórias ouvidas/lidas, gravadas na memória. O poema é oferecido à mãe que, certamente, lia histórias para uma menina que estava descobrindo a vida. No poema de Drummond: "[...] as coisas findas, / muito mais que lindas/ essas ficarão."
O último verso de “Continuação” remete-nos para a lírica camoniana. Jacó confessa que, para ter o amor de Raquel, serviria mais sete anos e em tom de desabafo segue a afirmativa de um apaixonado: "se não fora para tão longo amor tão curta a vida."
“Continuação” deixa no leitor um gosto melancólico de um tempo bom que se perdeu. É um poema para ser mais sentido do que compreendido.
Há muitos outros poemas em (Re)Versos “encobertos de pó” (Marcus Accioly); há girassóis nas janelas que precisam de sombra para que cresça o verde da esperança (Thiago de Mello). Vamos retirar o pó dos poemas, contemplar os girassóis (fotografias), envolvendo-nos por esta magia poética.
Muito, ainda, teria que dizer sobre os poemas, acreditamos, porém, que os dois exemplos apresentados já foram suficientes para despertar o desejo de ler o livro na íntegra. Fica o convite: leia-o com afeto à flor da pele.

* -Apenas um foto foi feita por Geraldo Profeta Lima, irmão da poeta, para outra publicação - Confidências. Exercícios líricos (cd rom)

Para adquirir o livro:

Casa do Livro (Centro de Vivência - UFPB - Campus I)

ou pela internet mailto

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