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NOITE CARIOCA

Lançamento de livros

16 - 4 - 2009

 

 

Rua Antônio Lira, 153 - Tambaú

João Pessoa - PB

Ensaio

Capa: Rubenal Hermano

Poemas

Capa: Leonardo Hermano

São Paulo: Navegar, 2008

(Re)Versos. Apresentação

Apresentar um livro de poemas não é tarefa muito simples. Muitas vezes o apresentador antecipa informações demais ao futuro leitor, e é como se lhe dissesse o que deve perceber e/ou sentir ao ler o livro. Mas poesia não funciona assim. Só ao longo da leitura e da releitura dos textos é que a poesia ali trabalhada vai tocando a sensibilidade do leitor, fazendo-o penetrar, aos poucos, no devaneio do/da poeta.
Como leitora de poesia, sei que a apresentação às vezes atropela o percurso que o leitor prefere fazer sozinho. Este percurso deve ser pessoal, intransferível e prazeroso, como João Batista B. de Brito nomeou muitíssimo apropriadamente, o “percurso do gozo” (um de seus livros, inclusive, tem o título Percursos do gozo).
Dito isto, limito-me a dizer sobre os (Re)Versos, de Sônia van Dijck, que se trata de uma edição bem caprichada da Editora Navegar para abrigar uma especial seleção de poemas e fotografias da flora produzidas entre João Pessoa e Paris. À exceção de uma única fotografia, de autoria de Geraldo Profeta Lima, saudoso irmão de Sônia, todas as demais foram clicadas pela própria autora.
Os poemas curtos, os versos concisos dão prova da total adesão da autora à 7ª proposta para este milênio que também nos é apresentada hoje. Aliás, os poemas substantivos, sejam em português ou em francês, são a própria ilustração da proposta de Concisão.
A ideia de reunir poemas e fotografias foi muito feliz para a estreia da nossa nova poeta! Parabéns Sônia e boa leitura a todos.

Aglaé Fernandes (João Pessoa - NOITE CARIOCA - 16 abr. 2009)

Uma releitura de Calvino

Rinaldo de Fernandes

Concisão: sétima proposta para este milênio, publicado em 2008 pela Nagevar Editora (SP), é um curto, ousado e original ensaio de Sônia Maria van Dijck Lima. Ítalo Calvino propôs seis valores ou qualidades que, por lhe serem “particularmente caros”, devem ser “preservados” na e pela literatura. São os seguintes: leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistency (este último não chegou a ser desdobrado pelo autor). Sônia van Dijck, em seu ensaio (cujo preparo ou motivação veio de um curso a ser ministrado, no ano letivo 2008/09, na Universidade Paris X/Nanterre), aplica Calvino a uma série de poetas do modernismo brasileiro: Mário de Andrade, Ascenso Ferreira, Sérgio de Castro Pinto e Oswald de Andrade. Aplica como modo de exposição, como método para exemplificar, em poemas desses autores, cada uma das propostas de Calvino. Neste passo, o ensaio é claro, objetivo, mostrando como, por vezes, num mesmo texto (a exemplo de “Inspiração”, de Mário de Andrade, ou mesmo “O gênio da Raça”, de Ascenso Ferreira), as propostas se conciliam para dar maior substância ou valor ao poema. A lógica argumentativa da ensaísta leva-a, em determinado momento, a dar maior destaque à rapidez, de onde irá extrair a categoria proposta no título do ensaio. Aqui, após comentário elucidativo acerca do “caráter sintético” dos poemas “Tietê”, de Mário de Andrade, e “Geração 60”, de Sérgio de Castro Pinto, o interesse principal da ensaísta fica claro – ela quer fixar uma nova proposição: a da concisão. Como isto será feito? Sônia começa afirmando: “vejo a possibilidade de uma sétima proposta e sobre a qual ele [Calvino] não se deteve em anotações específicas”. Na definição do que seja rapidez, a ensaísta cita o próprio Calvino, que diz: “A rapidez e a concisão do estilo agradam porque apresentam à alma uma turba de idéias simultâneas, ou cuja sucessão é tão rápida que parecem simultâneas, e fazem a alma ondular numa tal abundância de pensamento, imagens ou sensações espirituais, que ela ou não consegue abraçá-las todas de uma vez nem inteiramente a cada uma, ou não tem tempo de permanecer ociosa e desprovida de sensações”. Para Sônia, por não ter sido destacada como uma qualidade a ser “preservada” na e pela literatura, a concisão é um conceito incompleto ou incerto na obra de Calvino. Por dois motivos: 1) em Calvino, a concisão é entendida “como brevidade do texto”; 2) para Calvino, a concisão é “um dos constituintes da rapidez”. Então – e vem agora o momento conceitualmente mais importante do ensaio (posto eficazmente já para o final do texto, gerando expectativa no leitor) – a ensaísta argumenta: “CONCISÃO: capacidade de o texto falar sobre vários assuntos e remeter a outros textos ou a diversos elementos culturais, em um exercício realizado no espaço hipertextual, cultivando ou não a rapidez da expressão, com o objetivo de nova significação. [...] Independentemente de sua extensão, o texto pode ser conciso, desde que se agencie na síntese da variedade de textos ou de elementos culturais, que pretenda confirmar ou criticar em sua nova significação. Seus constituintes só podem ser identificados analiticamente, pois se ocultam na opacidade hipertextual, pretendendo oferecer ao leitor um significado a ser apreendido – recebido – metaforicamente.” Tudo aí está dito. Ou melhor: proposto. Temos, assim, feita com simplicidade e elegância, uma contribuição teórica das mais instigantes.

(João Pessoa - NOITE CARIOCA - 16 abr. 2009)

Publicado in RASCUNHO, Curitiba, 21 jul. 2009. Rodapé. - www.rascunho.com.br

www.rinaldofernandes.blog.uol.com.br

 

Eu deveria ter vindo aqui munido de um habeas corpus preventivo. Receio cometer um delito – a prática da prolixidade ao falar de uma autoridade em concisão. Mas não estamos em Brasília, onde esse instrumento jurídico anda muito em voga ultimamente.
Este espaço hoje é o território das ideias, da poesia, da amizade. E quando estamos entre amigos somos confiantes e ousados.

Sônia Maria van Dijck Lima.

A primeira vez que li este nome foi ao receber, em Natal, um exemplar de Um cavalheiro da segunda decadência: busca degradada de valores autênticos, pioneiro estudo de grande envergadura da obra de Hermilo Borba Filho.

Era agosto de 1981. Seu livro, Sônia, me foi ofertado pelo bibliófilo Maurílio de Almeida.

Três anos depois, visitei na Casa de Rui Barbosa a exposição “Confluências: Trilhas de vida e de criação”, com peças originais do Arquivo de Guimarães Rosa, incorporado ao Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Novamente encontro o nome de Sônia van Dijck, então compondo a equipe de pesquisadores envolvidos naquele evento. O catálogo da exposição foi por ela enriquecido com a “Cronologia de vida e obra” do homenageado.

Somente em 1989, quando de minha admissão no Mestrado em Letras da UFPB, tive a honra – e por que não confessá-lo? a emoção – de conhecer pessoalmente a pesquisadora que eu começara admirar.

A partir de então, durante as aulas e em seu “ambiente”, como se denominava a sala em que nos reuníamos para nossos papos em torno de pesquisas, seminários, monografias e, mais tarde, da dissertação de Mestrado, foram se intensificando entre nós a afinidade, a amizade, a cumplicidade que neste 2009 completam 20 anos!
Mas, como enfatizou Idelette, em discurso por ocasião do lançamento de (Re)Versos e Concisão, em Paris, eu também precisei de me submeter a provas, difíceis provas, para alcançar o status de amigo de Sônia e poder estar aqui, compartilhando a alegria desta noite, nesta festa em que ela reúne seus admiradores e amigos.
Eu soube ouvir humilde e pacientemente suas críticas, suas discordâncias, expressas algumas vezes em um tom áspero.
Contudo, tive o entendimento de que seu objetivo, ao proceder assim, era o de me fazer enxergar o caminho certo na direção de meu aprimoramento intelectual, na realização de um trabalho pelo menos não muito distante da perfeição.
Como aluno e orientando de Sônia, aprendi a estudar. Extremamente metódica, ela é implacável com o “jeitinho”, a improvisação, o meio termo, a mediocridade. Quanto lhe devo, como lhe sou grato por isso.
Concluído o mestrado, nossa amizade se tornou ainda mais firme. Aqueles limites protocolares que separavam orientadora e orientando (terão eles realmente existido?) não nos distanciavam mais. Estivesse aqui, na Bahia, no Paraná, em São Paulo, na Europa, Sônia jamais me deixou sem notícias dela.
Intercâmbio de idéias, sugestões, livros, revistas, textos inéditos – sobretudo dela, claro – confidências.
A partir de 2000, quando iniciei minhas pesquisas com a correspondência de Câmara Cascudo e João Lyra Filho, tive sempre sua orientação segura.
Tudo o que ousei publicar – artigos ou livros – somente o fiz após sua rigorosa leitura e jamais negligenciei suas percucientes observações.
Neste instante, perante seu filho Vladimir, seus admiradores e amigos – e alguns de seus amigos são meus amigos também – não hesito em confessar que Você, Sônia, tem sido a maior influência em minha formação, ainda em curso, apesar de minha idade.
Obrigado, Sônia, e continue sendo o modelo de professora, de pesquisadora, de intelectual, enfim, de amiga que Você é.
Muito obrigado.

Roberto da Silva (João Pessoa - NOITE CARIOCA - 16 abr. 2009)

Queridos todos,
Depois do que acabamos de ouvir, só me resta agradecer.
Agradecer a Aglaé e a Rinaldo pela leitura de meus textos. Agradecer a Roberto pelo seu depoimento. Uma observação: Roberto traçou quase que meu retrato de corpo inteiro. Sou assim mesmo: tudo o que Roberto disse e algo mais. Não nego. Fazer o quê? Mas, aí está uma de minhas alegrias nesta noite: a companhia de Aglaé, Rinaldo, Roberto, meus ex-alunos, meus amigos, excelentes profissionais e intelectuais reconhecidos.
E por falar em alegria, estou feliz em ter, nesta noite, a companhia de meus ex-alunos, ex-pesquisadores do projeto “Ateliê de José Lins do Rego”, meus colegas e meus amigos. Alguns, vejo sempre; com outros, o contato é quase diário: pessoalmente, por telefone, pela internet. Mas, outros, eu só vejo de vez em quando ou por ocasião de um evento em que nos encontramos. Pois, hoje, minha alegria é que vocês estão aqui.
Devo informar que há pessoas que têm responsabilidade diante dos lançamentos desta noite. Aglaé, Idelette, Leiradella, Roberto, que leu cuidadosamente o ensaio Concisão, e Vilani, esta amiga de muitas horas. Eles me acompanham, lendo meus textos, fazendo sugestões, e, principalmente, me incentivando com seu apoio e seus comentários. Há alguns outros a quem devo poder lhes apresentar os livros deste lançamento. A todos meus agradecimentos. Agradeço também a Vladimir, meu filho, que está colaborando como vendedor de livros...

Bem... Aos que vieram para este nosso encontro, fico grata pela oportunidade de nos reunirmos e espero que também revejam amigos que andavam ocupados, mas que hoje podem ser reencontrados.
Claro que espero que leiam meus livros. Se me mandarem comentários e críticas, receberei com satisfação, como contribuições para meu trabalho.

Sônia van Dijck (João Pessoa - NOITE CARIOCA - 16 abr. 2009)

 

Para adquirir os livros:

Casa do Livro (Centro de Vivência - UFPB - Campus I)

ou pela internet mailto

Leia: (Re)Versos: afetos à flor da pele (Neide Medeiros Santos)

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