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Capa: Alexandre Oliveira

PACTO

REVELADO*

 

Sônia van Dijck

Natal: Sebo Vermelho Edições, 2005.

 

Roberto da Silva, com seu Ruídos na cristaleira (1996), alentado estudo da obra de Rachel Jardim, passou a ser considerado na comunidade de estudiosos da Literatura Brasileira pela sua competência. Além de artigos em periódicos (do Brasil e de Portugal), trabalhos completos em Anais e participação em obra coletiva, Roberto da Silva tem confirmado sua seriedade como pesquisador de arquivo, publicando obras como Jasmins do Sobradinho (2000) e Luís, toujours lui (2002).

Tendo tomado para si a empreitada de catalogar e divulgar a correspondência de Câmara Cascudo, o que já vem realizando desde os dois últimos livros mencionados acima, ele, agora, oferece aos interessados na cultura brasileira as cartas do polígrafo potiguar a João Lyra Filho.

Os cuidados de que se cerca e os critérios metodológicos que usa ao penetrar nesse acervo de cartas, estão declinados no pórtico de seu trabalho, em texto que poderá servir de orientação a outros pesquisadores. O autor consegue ser didático, sem didatismo. Seu rigor na busca de fontes de informação e seu respeito pelos documentos são capazes de contaminar o leitor.

Roberto sabe que está lidando com uma relação pessoal e privada, quando se debruça sobre documentos epistolares. Esses textos não foram produzidos para olhos de terceiros, por isso, na segurança da cumplicidade entre remetente e destinatário, podem revelar combinação de negócios, interesses intelectuais, informações da vida particular, confissão de sentimentos. Grandezas e fraquezas da condição humana. O destinatário, por inúmeras razões, guarda as cartas, que passam a integrar sua intimidade. Foi o que fez João Lyra Filho. Pelo conteúdo das missivas, podemos crer que essas cartas de Cascudo foram conservadas por Lyra Filho por razões afetivas. Há casos em que o destinatário pode guardar pensando na posteridade, considerando a importância dos documentos. Ainda que possa não ter sido essa a razão de Lyra Filho, o fato é que as missivas de Cascudo são portadoras de informações culturais, históricas, literárias e, principalmente, sobre a obra cascudiana tanto do interesse de nossa geração como das gerações vindouras.
Como pesquisador, Roberto invadiu o pacto entre esses correspondentes, sem perder os limites impostos pela ética, e nos mostra não só uma bela amizade entre dois intelectuais, como nos revela Câmara Cascudo em sua inteireza de humanidade e de intelectual comprometido com o Brasil.

Mas, Roberto vai além de nos mostrar as cartas. Pesquisador cuidadoso, detalhista e incansável, sabendo que muitos dos fatos, nomes de pessoas, títulos de livros, expressões de linguagem, que aparecem nas cartas, não são do conhecimento de todos os leitores de seu trabalho, ele organizou notas, que esclarecem as ocorrências e iluminam a leitura dos documentos transcritos. Também, considerou pertinente traçar a biografia de Cascudo e de Lyra Filho, completando o trabalho. Seu compromisso com a pesquisa é igual a sua consideração pelo leitor.

Flama serena resgata a memória de uma amizade, de uma época, de um fazer intelectual. Traz de volta fatos e figuras históricas. Presentifica Luís da Câmara Cascudo e João Lyra Filho. E tudo isso fundamentado em extensa bibliografia.

Flama serena é trabalho de pesquisador de arquivo, que passa a ser referência, instrumento de trabalho, para estudiosos de muitos campos de especialidade.

Roberto da Silva com Paulo Maia e com Pedro Vinicius

Solar Bela Vista - 10 fev. 2005 (Natal - RN - Brasil)

Leia sobre Consagração e glória - livro de Roberto da Silva

* Prefácio de Flama serena (p. 9-10).

© Copyright by Sônia van Dijck, 2005

Midi: Eu te amo e amarei - modinha (domínio público)

LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998

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