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VOLTAR GUIMARÃES ROSA -- VER Para uma História da Literatura

1ª edição (1939) - Capa: Luís Jardim

Biblioteca Luiz Ruffato

O LIVRO

QUE SAIU DO CÂNONE

 

Sônia Maria van Dijck Lima

RESUMO
Livro premiado em 1938, Maria Perigosa, de Luís Jardim, tem aqui sua trajetória crítica reconstituída, a partir dos recortes de periódicos do Arquivo João Guimarães Rosa (IEB/USP). Verifica-se que o lançamento de Sagarana, em 1946, levou a crítica a refazer a avaliação do livro de Jardim. São tomadas duas narrativas de Maria Perigosa, como forma de reapresentar essa obra.

ABSTRACT
Maria Perigosa, written by Luís Jardim, whose book was awarded a prize in 1938, has its literary criticism reconstructed using the clippings of periodicals that belong to the João Guimarães Rosa’s Archive at the IEB-USP. The publication of Sagarana in 1946 led the critics to reevaluate Jardim’s book. Two passages from Maria Perigosa have been taken as a way to represent this work.

Para
Dona Guita e Dr. Mindlin, guardiães de Maria Perigosa;
Cristina Antunes, Elisa Nazarian, Jane C. Ribeiro, Rosana A. Gonçalves,
e L. Ruffato, que me acompanham nas descobertas;
e para quem ainda é menino arteiro,
na deliciosa, mágica e complicada aventura da vida adulta.

Que o Prêmio Humberto de Campos, da Livraria José Olympio, ao qual concorreu Contos, de Guimarães Rosa, inscrito em 31 de dezembro de 1937, provocou debates acirrados dentro da comissão julgadora já se sabe (Lima, 1999: 32-33 e 37). Também é fato registrado na História da Literatura Brasileira que o vencedor, anunciado no início de 1938, foi Luís Jardim (1), com Maria Perigosa, publicado, em 1939, pelo patrocinador do Prêmio.
Acontece que a polêmica repercutiu ao longo dos anos, para muito além do anúncio da premiação e do “Depoimento” de Marques Rebelo, em 1939, ardoroso advogado dos contos do desconhecido Viator; e quando, finalmente, as histórias se revelaram em livro, com título novo: Sagarana, não faltou quem lembrasse a história do Prêmio da José Olympio.

1. A ATITUDE DA CRÍTICA

Concomitantemente à discussão em torno de “regionalismo”, quis a crítica saudar a estréia de Guimarães Rosa repisando a velha história. O próprio Marques Rebelo (1946) revelou:
Ei-lo aqui e não como novidade, leitor, já estive com este livro nas mãos uma semana, manjando-o. Tinha outro nome então, “Contos” simplesmente, contos de Viator, pseudônimo de um tal que ninguém sabia quem era, uma das exceções portanto do concurso, talvez de todos os concursos neste Brasil tão pequeno, pois os estilos são poucos e traiçoeiros, rompem os envelopes fechados da imparcialidade - como é difícil julgar! Bem, foi há quase muito tempo, 1938 ponhamos, e não me vinha assim em letra de imprensa e capa colorida, brilhando. Era um original encadernado com cuidado, quinhentas páginas de papel relatório, espaço dois, cerrado atochado - assustava muito.
A essa altura, Sagarana já recebera seu batismo crítico, ministrado por Álvaro Lins (1946), logo após o lançamento de abril de 1946:
De repente, chega-nos o volume, e é uma grande obra que amplia o território cultural de uma literatura, que lhe acrescenta alguma coisa de novo e insubstituível, ao mesmo tempo que um nome de escritor, até ontem ignorado do público, penetra ruidosamente na vida literária para ocupar desde logo um dos seus primeiros lugares. O livro é Sagarana e o escritor é o sr. J. Guimarães Rosa.
Despertado o colégio crítico pelos comentários de Lins, muitos foram os titulares de rodapés que passaram a falar do novo livro; alguns conduzindo o debate para estranhas veredas... Henrique Pongetti (1946), por exemplo, optou por abandonar a crítica literária e inaugurar a estação dos mexericos:
O último andaço das nossas letras é o Sr. Guimarães Rosa, autor de Sagarana. (...) Mas o andaço pró Guimarães Rosa (por escrito) está sendo acompanhado de um andaço contra Guimarães Rosa (falado). Murmuram-se perfídias. Que Sagarana perdera num concurso de contos de certa livraria para o livro do Sr. Luís Jardim, sem despertar em nenhum dos garimpeiros da comissão a desconfiança de se haver posto à margem uma legítima obra-prima. Que Sagarana foi promovido a obra-prima e o Sr. Luís Jardim a usurpador depois da nomeação do Sr. Guimarães Rosa para um cargo de muita influência no Itamarati.
Em sintonia com o espírito do texto de Pongetti, alguns periódicos publicaram notas sem assinatura, desviando-se, às vezes, da crítica, voltando à notícia do concurso em que se inscrevera o autor do livro recém-lançado:
Sua obra foi recusada, por desvaliosa e ainda desvaliosa a considerou uma comissão de intelectuais, formosos de espírito e de inteireza moral, juízes de um dos diversos prêmios literários que anualmente se concedem neste país. Também os críticos leram a obra e o julgamento foi um só – as páginas do livro inédito estavam quase virgens daquilo que se exige na boa criação do espírito literário. (...) Chega o ano de 46 e o contista menosprezado e esquecido é chamado a ocupar alto posto na administração pública e do qual pode derramar benesses nos editores, nos intelectuais e nos críticos.
Embora a nota não mencionasse o título do livro, o autor, nem o nome do prêmio, deixou claro o interesse intrigante, arrematando a questão das relações de poder:
Repentinamente seu livro é editado e aparece, reaparece, permanece em todos os comentários, em todas as críticas, em todos os suplementos literários como o melhor, o grande e insubstituível livro do ano. É a jóia literária de nossos tempos e todos que ontem a refugavam hoje porfiam em exibi-la da melhor forma e descobrem-lhe novos e inesgotáveis esplendores. O pior de tudo é que o livro é realmente bom. Oh, doce e inefável Brasil. Que juízos sutis fará de teus espíritos de escól, nas suas horas distantes de gabinete ministerial, esse novo e brilhante autor? (2)
Helio Fernandes (1946), nem tão entusiasmado pelo novo livro, escreveu, com certa malícia:

Endeusado por críticos as mais das vezes sóbrios e reservados, alguns mesmo tendo feito parte da comissão julgadora do Prêmio “Humberto de Campos” ao qual Sagarana concorreu sem obter colocação, era natural que acreditássemos ser o livro do Sr. Guimarães Rosa uma verdadeira obra de arte.
Bem que podemos imaginar a atmosfera do mundo literário naquela época, principalmente no Rio de Janeiro, à sombra da Livraria José Olympio... O falatório era grande. Atravessou a fronteira... e Araujo Nabuco (1946), que só conhecia a história de ouvir contar, como os demais, escreveu, sentindo-se inteiramente bem informado, ainda que errando o ano do concurso:
Como se sabe, em 1939, o sr. Guimarães Rosa, sob o pseudônimo de “Viator”, concorreu com esse livro ao Concurso Humberto de Campos. O sr. Marques Rebelo, membro da comissão julgadora, encontrou, no seu autor, “qualidades excepcionais, não só de contista, como de escritor propriamente”. “Conhecedor forte da vida brasileira, segurança absoluta na exposição de seus ambientes, diálogo muito bem feito, elevação de idéias, bom gosto” - foi o que disse o sr. Marques Rebelo do então desconhecido contista. Da mesma opinião era o sr. Prudente de Morais Neto. E ambos, na seleção final, o escolheram para o prêmio. Maria Perigosa, do sr. Luís Jardim, obteve também dois votos ficando ambos assim em igualdade de condições. O sr. Peregrino Júnior escolhido para solucionar o caso, desempatou em favor do sr. Luís Jardim.
E arrematou:
Hoje, quando o sr. Guimarães Rosa está sendo incensado, quer pelos que lhe reconhecem valor, quer pelos que desejam agradar o Secretário do Ministro, poucos como o sr. Marques Rebelo poderão erguer a cabeça e muitos, como o sr. Peregrino Júnior, hão de murmurar intimamente; Ah! Se eu soubesse...
Para a anunciar a imediata reedição, retomou-se o caso do Prêmio:
Em 2ª ed. o livro de contos de Guimarães Rosa: Sagarana. Absoluto sucesso de crítica. Absoluto êxito de livraria. Esse livro, antes de ser publicado, foi desclassificado em concurso literário. O livro classificado foi Maria Perigosa, de Luiz Jardim. (3)

Meses depois da 2ª edição de Sagarana, ainda saiu uma nota na Revista do Globo (4), fazendo questão de lembrar quem votou em quem: Os outros dois julgadores, no entanto, votaram em Maria Perigosa, de Luís Jardim. Chamado a desempatar, o sr. Peregrino Júnior decidiu em favor deste último.
Ciente das limitações das fontes pesquisadas, notamos que, apesar da freqüente remissão ao Prêmio Humberto de Campos, não encontramos comentários analíticos da obra de Luís Jardim, que justificassem o cultivo da memória daquele concurso. Apenas de José Lins do Rego (1946), o autor de Maria Perigosa recebeu menção positiva. Com a autoridade de autor de uma obra regionalista coroada com Fogo morto, e depois de salientar em Guimarães Rosa uma erudição botânica e os seus conhecimentos de zoologia, assegurou: Passa-se assim da boa e telúrica literatura, para uma quase pedante exibição de detalhes que nos enfada. E concluiu, comparativamente: o livro do Sr. Guimarães, se não chega a ser a obra-prima da exaltação do poeta Augusto Frederico Schmidt (5), é um magnífico livro de contos, como já nos deram o Sr. Monteiro Lobato ou o Sr. Luiz Jardim.
Lins do Rego não modificou a situação de Maria Perigosa diante de Sagarana. Mas, mas trouxe uma nota positiva. Dois dias antes de seu texto, Henrique Pongetti já havia atirado mais lenha na fogueira em que deveria arder o ganhador do “Humberto de Campos”, conforme trecho citado anteriormente.
O Prêmio saiu caro ao vencedor... Graciliano Ramos (1946), relembrando o debate da comissão do “Humberto de Campos”, terminou estabelecendo o destino das duas obras concorrentes:

... ficamos horas no gabinete de Prudente de Morais, hesitando entre esse volume desigual e outro, Maria Perigosa, que não se elevava nem caía muito. Optei pelo segundo (...) E Peregrino Júnior, transformado em fiel da balança, exigiu quarenta e oito horas para manifestar-se. Escolheu Maria Perigosa – e assim Luís Jardim obteve o prêmio Humberto de Campos em 1938. (...) Desgostei-me: eu desejava sinceramente vê-lo crescer, talvez convencer-me de que me havia enganado preterindo-o. Afinal, os julgamentos são precários – e naquele tínhamos vacilado. Eu, pelo menos, vacilara.(Grifo nosso)
Como se não bastasse tudo que estava sendo dito, Braga Montenegro (1946) deu também sua contribuição. Compreendendo a dificuldade do júri frente à originalidade das histórias de Guimarães Rosa, que, por isso,
premiou
um outro livro, muito bom sem dúvida, mas que lhes é bastante inferior, o crítico festejou o “final feliz”:
O livro do sr. Guimarães Rosa resistiu, porém, a essas dificuldades: a injustiça (involuntária, tenho a certeza) da comissão do prêmio “Humberto de Campos”, a recusa dos grandes editores; para afinal sair, talvez a expensas particulares, para a consagração do escritor e maior glória da literatura brasileira.
E dessa forma ocuparam-se os críticos, ao longo do ano do lançamento de Sagarana. O debate da comissão julgadora do Prêmio Humberto de Campos foi mesmo retomado no ano do aparecimento de Sagarana; só então, com os pronunciamentos dos articulistas dos periódicos, chegou-se ao resultado do Prêmio... e o antigo ganhador saiu perdendo...
A crônica sobre o concurso sobreviveu ao ano do lançamento. Dez anos depois, quando da publicação da 4ª edição de Sagarana, a Tribuna da imprensa ainda repisou tudo outra vez, para assinalar o sucesso do livro:

Anteriormente Sagarana concorrera ao “Prêmio Humberto de Campos”, promovido pela Livraria José Olympio, mas o livro premiado foi Maria Perigosa, de Luís Jardim. (...) Publicado, Sagarana obteve imediato sucesso. Conquistou o “Prêmio Felipe de Oliveira” e alcançou, em alguns meses, duas edições. (6)
Se a memória do Prêmio parecia tão viva em 1946, os críticos não pareciam guardar lembrança da leitura cuidadosa de Maria Perigosa, realizada por Mário de Andrade (s.d.: 51), infelizmente desaparecido em 1945. O autor de “Mestres do passado”, a certa altura, disse, por exemplo:

... Luís Jardim, no seu inconfundível modo de dizer, faz suas, faz esquecidamente suas, a psicologia verbal e as formas expressionais do povo. E será este, porventura, o maior valor de seu livro. Uma espontaneidade popularesca, um vigor, um ineditismo de expressão, em que as imagens, as comparações, as metáforas, saltam, vibram, ora novas, ora conhecidas, mas com aquela necessidade mesma, aquela aparente ausência de literatura, própria da boca do povo. E como isso vem ordenado, regulado por uma discreta vontade artística: isto é arte, é forma indiscutivelmente literária e culta. E de excelente qualidade. (7)

2. O RESULTADO

Através de crônica de Antonio Rangel Bandeira (1946), publicada em dezembro daquele ano, podemos ter uma pálida idéia de como todo o falatório repercutiu em Luís Jardim. Radicado no Rio de Janeiro desde 1936, Jardim bem conhecia o universo intelectual e literário da cidade grande. Por isso, preocupou-se em dizer, em 1943, ao conterrâneo recém-chegado: ... estão enganados esses jovens nordestinos que vêm para o Rio, querendo a todo preço, vencer na literatura. Relembrando as palavras amigas, Bandeira continuou a crônica:
...nunca poderei me esquecer desse pequeno discurso de cordial recepção, como jamais poderei admitir que literatura seja campo de luta de gladiadores, em que sempre jorre o sangue da intriga, ou o diz-que-diz das comadres e das solteironas. O fato é que 1946 foi o ano do cianureto de potássio literário, com o qual já estão fazendo câmbio negro um ou outro boa praça desta comarca. (...) o ano de 1946, que teve, apenas, a seu favor, algumas significativas estréias, das quais a mais importante e estupefaciente foi a de J. Guimarães Rosa, com Sagarana – um livro que é o resultado de um perfeito equilíbrio entre a forma e o espírito, entre o regional e o universal, além de dar à nossa literatura, em todo seu poder criador, um contista de primeira grandeza.
Na segunda edição de Maria Perigosa, em 1959, Luís Jardim publicou uma apresentação, intitulada “De novo”, com epígrafe recolhida em Vieira: Que cousa há hoje tão antiga, que não fosse nova em algum tempo? Explica o autor: O livro Maria Perigosa já estava arquivado. Quis o editor, reavivando passada aventura, dar-lhe nova aparência. Trata-se de uma edição revista e aumentada, e, por isso, o texto explica o aparecimento de contos que não figuram na edição resultante do Prêmio, e registra que José Lins do Rego leu um dos novos e não o julgou de todo ruim. Para justificar a segunda publicação, conclui: As credenciais deste livro são pois a boa vontade do editor, publicando-o; a manifestação daquele notável romancista em relação a um conto; o prêmio antigo, que talvez ainda o recomende, e alguns desenhos meus destinados a enfeite.
Tantos anos depois... - o prêmio antigo, que talvez ainda o recomende... - e lá está, no pórtico da 2ª edição, uma nota não isenta de uma certa humilde dúvida...
Em suas memórias, Nelson Werneck Sodré (1970: 106) reconstituiu o clima animado pelo nacionalismo do Estado Novo, lembrando que alguns escritores foram acusados de criadores de cenas “fortes”:
Romances de Jorge Amado e de José Lins do Rego foram para as fogueiras purificadoras; as bibliotecas sofreram buscas e delas, banidos como heréticos, esses livros licenciosos para a nova pudicícia, foram retirados com alarde.
João Luiz Lafetá (2000: 30 e 32) preferiu contemplar as contradições do período, apontando, por um lado, o romance de denúncia, a poesia militante e de combate, e por outro lado, o conservadorismo católico, o tradicionalismo de Gilberto Freyre, as teses do integralismo, como manifestações contra a modernização.
Lançado meses depois de findo o Estado Novo, Sagarana inseriu-se nas contradições da época, uma vez que o fim de um regime não é garantia de encerramento de uma mentalidade, mesmo quando o debate crítico demanda novas perspectivas ideológicas... Esse foi o contexto do reencontro de Luís Jardim com Guimarães Rosa...
Sodré (p. 185-186) testemunhou as repercussões do Prêmio em 1946:

O caso foi muito comentado, na época: os meios literários não sabiam quem era João Guimarães Rosa. Graciliano que fazia, como Marques Rebelo, parte da comissão julgadora, votou em Luís Jardim. Os originais de Sagarana não tinham, no concurso, os mesmos textos que constaram depois na publicação. Graciliano achou heterogêneo o conjunto. Guimarães Rosa eliminou alguns contos, poliu os outros, antes de autorizar a edição do livro que, desde o seu lançamento, alcançou sucesso entre os oficiais do mesmo ofício, particularmente consagrado por uma crítica de Álvaro Lins.
Sodré presta informação fundamental para iluminar a polêmica histórica: o livro publicado em 1946, com o título de Sagarana, passara por modificações (Lima, 2000a). Não era mais o mesmo conjunto de contos inscrito na José Olympio. Graciliano Ramos (1946), quando saudou o aparecimento do livro, havia dito isso e até contou que conversara com o autor, em uma ocasião social, em 1944:
Achando-me diante de uma inteligência livre de mesquinhez, estendi-me sobre os defeitos que guardara na memória. Rosa concordou comigo. Havia suprimido os contos mais fracos. E emendara os restantes, vagaroso, alheio aos futuros leitores e à crítica.
Uma rápida consulta a alguns dicionários de literatura permite que se acompanhe a saga do livro premiado em 1938. Raimundo de Menezes (1969 e 1978), no verbete de Luís Jardim informa o Prêmio e o título vencedor. Irwin Stern (1988) não alude ao Prêmio, mas cita Maria Perigosa na bibliografia do autor, como sendo de 1939. Na edição de 1987, Jacinto do Prado Coelho (8) ignora Luís Jardim.
Mas, a velha história do concurso está incluída, com um leve toque da polêmica, na Enciclopédia de Literatura Brasileira, dirigida por Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa (1989). Vejamos o verbete de Luís Jardim:

A conquista do prêmio Humberto de Campos, de contos, para o seu livro Maria Perigosa, chamou a atenção para seu nome. Em destaque, neste concurso, a presença de Graciliano Ramos na comissão julgadora e João Guimarães Rosa como um dos concorrentes com o seu Sagarana (v. 2, p. 743).
Todavia, a mesma Enciclopédia não informa o concorrente de Guimarães Rosa, no verbete que lhe
corresponde, e diz apenas: ... obtém segundo lugar no prêmio Humberto Campos (sic), com os contos de Sagarana (1937)(v. 2, p. 1182). E mais uma vez não se leva em conta a possibilidade de os contos lidos em 1946 terem sofrido modificações...
Para completar a trajetória de Maria Perigosa, podemos recorrer a dois dos mais reconhecidos historiadores da Literatura Brasileira, lidos nesse início de século XXI: Alfredo Bosi (2000) (9), cuja História concisa da Literatura Brasileira já ultrapassa a 43ª edição, e José Aderaldo Castello (1999). Muito provavelmente em conseqüência da concisão a que se propõe desde o título, o primeiro não inclui Luís Jardim na Literatura Brasileira. Castello, em sua monumental história da Literatura Brasileira, concede-lhe referências enquanto autor de literatura, incluindo-o em enumerações de regionalistas (p. 183 e 232), para lembrar adiante:
Ainda no Nordeste, contam-se Mário Sete, sem destaque na renovação modernista que se processava, (...) e Luís Jardim, ao contrário, já comprometido com aquele movimento no Recife, pondo-se ao lado de Gilberto Freyre e José Lins do Rego. (p. 234). Nessa altura, Castello, em nota de rodapé, cita duas das obras de Jardim: Maria Perigosa e As confissões de meu tio Gonzaga. (p. 234). Jardim aparece ainda mais três vezes no livro de Castello: como ilustrador e capista (p. 157, 277, 279). Só gostaríamos de lembrar que Jardim estava definitivamente radicado no Rio de Janeiro desde 1936, e que era artista plástico festejado pela crítica e escritor premiado já em 1937.

3. O LIVRO DA POLÊMICA

E, afinal, como é Maria Perigosa? - livro cuja 1ª edição tornou-se raridade... (10) Pergunta difícil para muitos que estudam Guimarães Rosa, e que fazem eco ao verbete da Enciclopédia.
Vale a pena lembrar que Guimarães Rosa leu Maria Perigosa, conforme disse a Ascendino Leite (apud Lima, org., 2000b: 70), assegurando ter gostado muito. Relatou o jornalista:
Lembra-se de quatro contos, que foram os seus preferidos: ‘Maria Perigosa’, ‘Os cegos’, a história de um alfaiate poeta, que sabia amar as palavras, e, principalmente, o conto de um ladrão de cavalos e rastreadores, que foi o de que mais gostou.

Maria Perigosa, em 1939, tem a seguinte organização: “Maria Perigosa”, p. 7; “Os cegos”, p. 29; “Conceição”, p. 55; “Coragem”, p. 85; “O ladrão de cavalo” , p. 103; “João Piolho”, p. 125; “Paisagem perdida”, p. 151. O desenho da capa remete à história que dá título ao volume, e, apesar de não assinado, permite que se reconheça sem dificuldade o traço de Luís Jardim. A informação do Prêmio conquistado consta na capa e na folha de rosto. O texto da “orelha” não é assinado; traça o percurso literário de Luís Jardim, mencionando, inclusive, sua atuação em A Província (Recife), ao lado de Gilberto Freyre; traz informações acerca de seu trabalho como artista plástico e enumera os prêmios recebidos, como escritor de livros infantis e como artista plástico, sem deixar de apresentar seu perfil biográfico.

As histórias têm temáticas diversas, incluindo a descoberta da sexualidade, o ciúme, o amor impossível, a amizade, a experiência poética, a esperteza, a doença, tratadas às vezes com humor, outras vezes com um acento trágico. A linguagem mantém-se no coloquial, sem grande preocupação com registros da fala popular ou regional, ou com a documentação “realista” de expressões. Como diz Paulo Rónai (1981:26): As personagens falam com propriedade e sabor, sem excessos de regionalismo; a sua fala representa um compromisso particularmente feliz que parece abolir as divergências da linguagem regional e da língua comum. Alguns referentes podem fornecer indicação de que as personagens pisam o chão do Nordeste, como por exemplo: Serra do Tará (acidente geográfico), burra-leiteira, facheiro, xiquexique (plantas), camarinha (tipo de quarto de antigas casas), meiágua (tipo de casa pobre, caracterizada pelo telhado, ainda que não exclusiva dos nordestinos...). Na verdade, o tom regionalista decorre muito mais de uma ambiência; da retomada de costumes, como o do café temperado com rapadura; do exercício de atividades, como o corte do mandacaru; da convivência com a seca, do que de uma preocupação de cronista da região.
Considerando que o texto de abertura do volume dá nome ao conjunto, assim como sua proximidade estrutural com a terceira história, vamos contemplar esses dois contos, para falar do livro vencedor daquele que depois se transformou em Sagarana.

Tanto em “Maria Perigosa” como em “Conceição” os narradores de primeira pessoa estabelecem uma convenção autobiográfica. Assim, ambos, já adultos, reencontram-se meninos, na descoberta da sexualidade. No primeiro, o menino Lula tinha talvez doze anos; gostava de criar mundos e mergulhava no faz-de-conta, vendo-se guerreiro e herói. Tímido, temia mulheres, exceto as de casa (integrantes da família) e Maria Perigosa, pela qual, confessa, nutria simpatia.
Na cidadezinha interiorana, Maria, filha de bêbado, órfã de mãe, entre 16 ou 17 anos, sem saber cozinhar começou a pedir comida na vizinhança. Tida como
bestalhona e amalucada, era bonita e de formas atraentes. Com a idéia fixa de ter um dente de ouro, enfeitava a boca com papel de cigarro (prateado). O primeiro amante perdeu o encanto quando reclamou porque ela vivia olhando no espelho o “dente de ouro”. Maria foi indo de um amante para outro, porque todos perderam o encanto se reclamaram do “dente de ouro” ou se deixaram de elogiá-lo. Decadente, suja, desdentada, piolhenta, passou a servir aos meninos em fase de iniciação sexual, tornando-se mal vista pelas famílias; donde seu nome “Perigosa”.
Um dia, Lula, numa aventura de roubar caju, afastou-se do primo Tuta; caminhou pelo valado, cumprimentando árvores e arbustos, como se fossem velhos conhecidos; contemplando uma nuvem, imaginou-se voando e o convite de uma fada:
Queres trepar nessa vassoura, Lula, e voar lá para aquela nuvem branca, a nuvem de Tuta? (p. 21) – e lá se foi voando com a fada, quando ouviu de dentro de uma moita: - Falando sozinho, Lula! Estás ficando maluco? (p.22) Eram pouco nítidas as fronteiras entre real e imaginário: E se Maria Perigosa fosse uma fada? pensei num instante. E só poderia ser a fada do mal, faltando-lhe os dentes de um lado, com aquele cabelo arrepiado e sujo como a palha de uma vassoura.(p. 21)
No jogo de sedução que se instaurou, Maria Perigosa, aos olhos de Lula, ganhou/recuperou traços de beleza, dando conformação à imagem de mulher:
Maria Perigosa era estranhamente outra! (p. 24) Reconstituindo o mergulho na confusão de emoções/sensações despertadas pelo novo da experiência do contato do corpo da mulher que o envolveu num abraço, o narrador reatualiza as aporias dos caminhos da sexualidade descoberta: Era bom e era ruim. (p. 25). Lembra-se de que, bruscamente, libertou-se do abraço e fugiu, depois de ter pensado que Maria Perigosa era uma fada, porém má (p. 26). Rejeitada, Maria Perigosa perdeu o encanto. E o narrador fala da carreira louca do menino em fuga, até encontrar seu Mendonça e explicar sua agonia/seu pânico apenas dizendo: - Maria Perigosa! (p. 27). Diante da lembrança da reprimenda de seu Mendonça, - Quem já viu um homem correr de mulher!”, cabe-lhe, agora, dizer: Mas, que haveria eu de responder? Nada. Eu era assim. Eu nasci assim. Eu sempre fui um bestalhão.. (p. 27)

Em “Conceição”, Pedrinho tem menos idade. Conceição (Ceiça, para o menino) era a cozinheira. O narrador bem se lembra:
Conceição entrara na minha casa havia três meses. Na mesma data entrara na minha vida como figura de conto de fada. Era a princesa, não dos meus sonhos, mas da minha imaginação. E da minha imaginação passou ao meu coração de menino de oito anos. (p. 61).
A exemplo de Lula, esse menino também cultivava o imaginário e também encarava a mulher no universo dos contos de fada... Ao mesmo tempo, via-se forte, poderoso, amante de atitude viril:
- Menino o quê, Conceição! Eu só tomara que aparecesse nesse escuro da cozinha uma onça bem grande pra te pegar! Tu ias ver como eu era homem, brigando com ela pra ela não te comer. (p. 67) Envolvido afetivamente, o menino passou a experimentar o desenvolvimento de sua sexualidade, nos beijos e carinhos de Conceição, confirmando-se o pacto amoroso nas atenções da empregada para com o menino, na troca de olhares, de pequenos agrados: Tudo meu era bem arranjado, limpo, escovado por ela. (...) Nem sempre meus olhos se encontravam com os seus. Quando se encontravam, Conceição ria-se para mim. (p. 62 e 63).
Colocando toda sua sensualidade nas asas da imaginação, ele se via protagonista de uma aventura de final feliz:
Crescido, casaria com ela. (p. 64). Pedrinho queria a travessia: deixar o menino para trás, antevendo-se homem: Tive ódio de mamãe. Aquele seu poder sobre mim, reduzindo-me ao menino que eu era, desmanchando as provas de homem que eu dava a Conceição, detestei-o com toda a força do coração. (p. 68)
Sua pouca idade e o deslumbramento não lhe permitiram ver a exploração de Conceição, que o levava a fornecer-lhe pequenos objetos e alimentos, comprados fiado na venda de seu Vicente, como se a pedido da dona da casa. Na iminência de ser descoberta, Conceição despede-se do menino, que logo depois descobre
que as compras que lhe dava eram para um tal Simplício, o homem com quem ela vivia na meiágua. (p. 50)

O tom catártico revela-se em ambos os contos: agora adulto, o narrador reorganiza a experiência da infância, e fala com um certo à vontade, sem perder, contudo, a perspectiva de procurar compreender o que lhe aconteceu. Ambos são meninos arteiros (para adotarmos o coloquial de fatura popular), capazes de engendrar situações que os levem ao objeto de desejo. No primeiro caso, Lula tinha os medos de menino diante das mulheres (sintoma de angústia primitiva); mas o narrador recorda que as mulheres de casa não o intimidavam. Na verdade, essa noção de mulheres participantes da família traduz a noção da proibição incestuosa; por isso, o menino não precisava temer mulheres que lhe estavam interditadas... O menino evadia-se para a companhia das fadas. Maria Perigosa, em sua marginalidade, é encarada como mulher disponível, sem proibições. E o menino, freqüentador do faz-de-conta, encaminha-se para Maria Perigosa. O narrador adulto deixa que entendamos a ambivalência da imagem da mulher: Lula aproxima Maria Perigosa das fadas (positividade) e, ao mesmo tempo das bruxas (negatividade). A ambivalência parcialmente se resolve quando Maria Perigosa é vista como assustadoramente má, e o menino não realiza o desejo. A reprimenda de seu Mendonça não é suficiente para superar a angústia; e o narrador conclui: Eu sempre fui um bestalhão. (p. 27).

Como o tempo e o aspecto verbal remetem a um processo da infância, confiemos que o adulto encontrou saída para a ambivalência... até porque a catarse está cumprida... e, queremos acreditar, os medos exorcizados.

Na história de Pedrinho, ainda que ele também acredite em fadas, a mulher não traz sinais de marginalidade: como cozinheira, convive com a família, e suas atenções para com o menino não parecem ser motivo de condenação. Na intimidade doméstica, o relacionamento carinhoso entre a empregada e o menino não causava maiores preocupações... Lembra o narrador uma conversa entre sua mãe e uma amiga: - Preta, a minha empregada, é a mesma coisa com Ivo, o meu mais velhinho. Gosta mesmo muito do menino! E é até bom, D. Lica. Tira os cuidados da gente. (p. 62) Mãe tranqüilizada... menino com um álibi: E foi ótimo para mim. Daí em diante eu seria para os conhecidos, para os de casa, "o menino de que a empregada gostava muito." (p. 63) Mário de Andrade comentou que esse conto ... é ainda um exemplo de como continua de alguma forma o íntimo entrelaçamento nordestino entre casa-grande e senzala. (11)
Pedrinho alimentava uma imagem positiva da mulher e, por isso, não lhe atribuía caracteres de bruxa. Sua relação com Conceição, apesar de clandestina, não o assustava e ele podia gozar dos beijos e das carícias... Mulher permitida, real e próxima do menino, Conceição mostra-se esperta para tirar pequenas vantagens. Pedrinho, esbanjando virilidade, estava pronto para enfrentar as conseqüências:
A idéia de apanhar, de morrer, de sofrer todos os castigos, não me intimidava. (p. 83) Mas, o pai não viu motivo para punir o menino. Revendo-se naquele menino, o narrador reconstitui: A pureza, e mesmo o egoísmodo meu amor a Conceição, não tinham o menor contato com a realidade, com os fatos ordinários da vida. Tocados brutalmente por eles, ruíram lá por cima, no meu ideal puerilo, e eu fiquei na terra fora das próprias leis naturais. Nem louco, nem consciente; fiquei parado em mim, esperando compreender aquele fato: as compras de Conceição eram para um tal de Simplício, o homem com quem ela vivia na meiágua. (p. 83)

ARREMATANDO

Ambas as histórias ultrapassam, em seus significados mais profundos, os limites de meras narrativas sobre aventuras de meninos precoces. Informam, na verdade, o processo de agenciamento dos elementos do imaginário masculino. Nele, a imagem da mulher adquire conotações de fada e de bruxa; de amante e de interesseira. Donde a atração e o medo; o desejo e a repulsa; a posse e a possibilidade da perda; a comunhão e o estranhamento... a elaboração do ideal diverso da realidade...
A reconstituição empreendida pelo narrador adulto revela a construção desse olhar masculino ambivalente, em “Maria Perigosa”: Maria, no mundo “real” de Lula, era tão somente uma mulher; só em seu imaginário, podia ser fada e bruxa (e ao mesmo tempo...). O interesse de Maria pelo “dente de ouro” é mostrado apenas como uma espécie de fixação da personagem, com a qual os homens jogavam na fase de conquista amorosa. O narrador não parece interpretar o “dente de ouro” como um dos atributos femininos da personagem, como um dos aspectos de sua identidade, para o qual ela esperava que o olhar masculino sempre se voltasse, tal como parecia fazer na construção da cumplicidade entre amantes. Para Maria, os homens quando deixavam de notar o “dente de ouro” haviam encerrado a cumplicidade, por terem alcançado a posse... Fim do interesse de Maria. Busca de novo amante/cúmplice de sua identidade feminina. O “dente de ouro”, ao ser mencionado por Lula, foi a chave mágica para a atmosfera de encantamento instaurada no encontro no valado.
Em “Conceição”, temos outro aspecto da mulher vista do universo masculino. Objeto de desejo, gratifica, plenamente, com carinhos e beijos seu sedutor/seduzido. Todavia, o menino sai da aventura com a compreensão de que a mulher é capaz de seduzir e de enganar; de ser passível de dar-se para, interesseiramente, se aproveitar; e, nessa habilidade, surpreende o homem com sua duplicidade de caráter: fada e bruxa, temos em síntese.
Duplicidade de traços de caráter... o imaginário masculino... Muito provavelmente, cada mulher é muito mais do que 300... 350... (12) Que os homens organizem essa multiplicidade de linhas... ou escrevam narrativas para tentar compreender a complexidade da relação homem-mulher..., na mágica experiência da sexualidade... – as mulheres assinam narrativas que poderão iluminar essa demanda...
Enquanto isso, os historiadores e críticos podiam ler/reler Maria Perigosa e reencontrar esse mundo criado por Luís Jardim e presidido por Eros..., e melhor contextualizar Sagarana, sua gênese, sua recepção crítica e o processo de sua entrada no cânone.

Publicado* em
Revista da ANPOLL, São Paulo, Humanitas,
FFLCH-Universidade de São Paulo,
Associação Nacional de Pós-Graduação e
Pesquisa em Letras e Lingüística, n. 13, jul.-dez. 2002, p. 195-216.

*Modificado para esta página.

© Copyright by Sônia van Dijck, 2002

Agradecimento a Luiz Ruffato

Midi: A barquinha (domínio público)

NOTAS

1. LUÍS Inácio de Miranda JARDIM – Garanhuns (PE), 8 dez. 1901 – Rio de Janeiro, 1 jan. 1987. Artista plástico, foi ilustrador e capista da José Olympio. Obras: O Boi Aruá ( 1937); O tatu e o macaco (1937); Maria Perigosa (1938); As confissões de meu tio Gonzaga (1949); Isabel do Sertão (1959); Proezas do Menino Jesus (1968); Aventuras do menino Chico de Assis (1971); Seleta - seleção de Paulo Rónai (1974); Meu pequeno mundo (1977); Façanhas do cavalo voador ( 1978); Outras façanhas do cavalo voador (1978); O ajudante de mentiroso (1980). Tradução: The armadillo and the monkey (1942).Traduziu Nalá e Damayanti – poema hindu (1944). Prêmios: 1º prêmio: Concurso de Literatura Infantil do Ministério da Educação, 1937; 2º prêmio: Livros de Estampas do Ministério da Educação, 1937; 1º prêmio: Prêmio Humberto de Campos, da Livraria José Olympio Editora, 1938; Prêmio da Academia Brasileira de Letras, 1959 e 1968.
2 . Doce e inefável. Diário da noite, Rio de Janeiro, 20 maio 1946. Arq. JGR-IEB/USP-R2.
3. Vanguarda, Rio de Janeiro, 7 ago. 1946. Arq. JGR-IEB/USP-R2.
4. Sagarana. Revista do Globo, Porto Alegre, 14 set. 1946. Arq. JGR-IEB/USP-R2.
5. A. F. Schmidt elogiou o livro de GR em Sagarana. Correio da manhã, Rio de Janeiro, 4 maio 1946. Arq. JGR-IEB/USP-R1.
6. O primeiro editor de Sagarana. Tribuna da imprensa, Rio de Janeiro, 10 abr. 1956. Hoje nas Letras. Arq. JGR-IEB/USP-R1.
7. O texto de Mário de Andrade foi reproduzido na 6ª ed. de Maria Perigosa (1981), com a indicação de primeira publicação no Diário de notícias, Rio de Janeiro, 21 maio 1939. Pode ser lido em seu O empalhador de passarinho, p. 49-52.
8. Já havia feito isso na edição de 1969.
9. Verificamos desde a 2ª edição (1980) até a 43ª (2000).
10. A biblioteca Guita e José E. Mindlin guarda um exemplar da 2ª ed. rev., aum. e ilu., 1959. Graças à generosidade de Luiz Ruffato, temos um exemplar também da 2ª ed. e um da 6ª, ilu., 1981. Luiz Ruffato tem um exemplar da 1ª edição, em sua biblioteca.
11. Do assunto entendia o autor de Amar, verbo intransitivo... , sendo que seu romance não é ambientado na casa-grande e na senzala...
12. Bem... Mário de Andrade conferiu suas possibilidades/habilidades camaleônicas em 300... 350... Estaria apontando os limites dos homens?...

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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